Excesso de pele, bolsas e alterações na sustentação dos tecidos podem estar entre as mudanças que não são corrigidas apenas com produtos cosméticos

O olhar está entre as regiões do rosto em que os sinais do envelhecimento podem se tornar mais perceptíveis. Com o passar dos anos, a pele das pálpebras perde elasticidade e outras estruturas da região também podem sofrer alterações, contribuindo para o surgimento de excesso de pele, bolsas e uma aparência de cansaço.

Uma rotina de skincare pode ajudar a manter a pele hidratada, protegida e com melhor qualidade, mas existem mudanças que vão além da superfície. Quando o incômodo está relacionado a alterações estruturais das pálpebras, os cosméticos não conseguem modificar tecidos ou remover o excesso de pele.

É nesse contexto que a blefaroplastia pode ser considerada. A cirurgia das pálpebras tem como objetivo tratar alterações específicas da região dos olhos, podendo envolver as pálpebras superiores, inferiores ou ambas.

Segundo o cirurgião plástico Dr. Vidal Guerreiro, entender a origem da queixa é fundamental antes de indicar qualquer procedimento. “A região dos olhos sofre alterações ao longo do processo de envelhecimento que envolvem não apenas a pele, mas também os tecidos abaixo dela. Por isso, antes de indicar uma cirurgia, é importante entender quais estruturas estão causando aquele aspecto e qual é a melhor abordagem para cada paciente”, explica.

O que o skincare consegue e o que ele não consegue fazer?

Cremes, séruns e outros produtos de cuidados com a pele têm funções importantes. Eles podem contribuir para a hidratação, textura e qualidade da pele, além de ajudar na prevenção dos danos provocados pela exposição solar.

O limite aparece quando a queixa está relacionada à anatomia. Um produto cosmético pode melhorar a qualidade da pele, mas não consegue remover um excesso significativo de tecido ou reposicionar estruturas que sofreram alterações ao longo do envelhecimento.

É o que pode acontecer, por exemplo, quando há excesso de pele nas pálpebras ou bolsas provocadas pela projeção da gordura orbital. Nesses casos, a questão não está apenas na qualidade da pele, mas em estruturas que precisam ser avaliadas por um profissional.

“É importante diferenciar aquilo que pode ser melhorado com cuidados dermatológicos daquilo que está relacionado a alterações estruturais. Nem toda queixa na região dos olhos é indicação de blefaroplastia”, destaca Dr. Vidal.

Quais alterações podem ser tratadas pela blefaroplastia?

A blefaroplastia pode ser realizada nas pálpebras superiores, inferiores ou nas duas regiões, dependendo das características apresentadas pelo paciente.

Nas pálpebras superiores, a cirurgia pode tratar o excesso de pele que contribui para o aspecto de pálpebra pesada. Em determinadas situações, também pode haver alterações relacionadas à gordura da região.

Já nas pálpebras inferiores, a presença de bolsas de gordura e o excesso ou a flacidez da pele podem estar entre os fatores avaliados pelo cirurgião.

Não existe, portanto, uma única forma de realizar a cirurgia. A técnica e a extensão do procedimento dependem da anatomia de cada paciente e das alterações que precisam ser tratadas.

O que pode estar por trás da aparência cansada?

A aparência de cansaço na região dos olhos pode ter origens diferentes. Olheiras, pigmentação, rugas, perda de volume, flacidez e bolsas de gordura são alterações distintas e não necessariamente respondem ao mesmo tratamento.

Uma pessoa pode acreditar, por exemplo, que o problema está nas olheiras, quando a aparência de sombra na região é causada principalmente pela presença de uma bolsa ou por uma alteração no contorno entre a pálpebra e a face.

“Uma pessoa pode chegar ao consultório dizendo que tem ‘olheiras’, mas, durante a avaliação, identificarmos que o principal fator é uma bolsa de gordura ou uma alteração no contorno da pálpebra. São situações diferentes e que precisam ser tratadas de maneiras diferentes”, explica o cirurgião.

Essa diferenciação é importante justamente para evitar que a cirurgia seja tratada como uma solução para qualquer alteração ao redor dos olhos.

O planejamento também considera a expressão do rosto

Por estar localizada em uma área central da face, a região dos olhos exige atenção especial durante o planejamento cirúrgico. A retirada excessiva de pele ou gordura pode alterar a aparência e a expressão facial.

Por isso, a avaliação considera aspectos como o formato dos olhos, a posição das sobrancelhas, a qualidade da pele, a distribuição dos tecidos, possíveis assimetrias e a relação da região dos olhos com o restante do rosto.

O objetivo não é simplesmente retirar o máximo possível de tecido, mas corrigir as alterações que realmente incomodam sem descaracterizar a fisionomia do paciente.

Para Dr. Vidal, essa preocupação deve estar presente desde a primeira consulta. “A cirurgia bem indicada não deve apagar as características da pessoa. O objetivo é tratar o que realmente incomoda, preservar a expressão e buscar um resultado que esteja em harmonia com o restante do rosto”, afirma.

E como é o período de recuperação?

A recuperação da blefaroplastia varia conforme a técnica empregada e as características de cada paciente. Por se tratar de uma região delicada e bastante vascularizada, é comum que apareçam inchaços e equimoses nos primeiros dias.

O retorno às atividades acontece de forma gradual e deve seguir as recomendações da equipe médica. Durante esse período, os cuidados pós-operatórios são importantes para acompanhar a cicatrização e reduzir o risco de complicações.

Também é preciso considerar que o resultado não aparece imediatamente. Nos primeiros dias, o edema pode alterar a aparência da região. Conforme o inchaço diminui e os tecidos se recuperam, o resultado da cirurgia se torna progressivamente mais perceptível.

O que esperar do resultado da blefaroplastia?

A blefaroplastia pode suavizar determinadas alterações associadas ao envelhecimento das pálpebras, mas isso não significa transformar completamente a aparência do paciente.

A proposta é encontrar um equilíbrio entre a correção das características que causam incômodo e a preservação da identidade facial. Por isso, antes de pensar na cirurgia, é importante entender exatamente o que está causando a mudança percebida no olhar.

Mais do que perguntar se a blefaroplastia é indicada de maneira geral, a questão é identificar qual alteração está presente e quais possibilidades de tratamento fazem sentido para aquele rosto.

A decisão pelo procedimento deve ser tomada após uma avaliação com um cirurgião plástico habilitado, considerando as condições de saúde, a anatomia, as expectativas e as particularidades de cada paciente.

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