Durante décadas, a principal explicação para o envelhecimento facial foi a passagem do tempo. Essa lógica continua válida, mas deixou de ser suficiente para compreender uma mudança cada vez mais frequente nos consultórios de cirurgia plástica. O crescimento do uso de medicamentos para perda de peso, com o GLP-1 como ativo, trouxe um novo fator capaz de acelerar alterações na face: a perda rápida da gordura facial. Em muitos pacientes, essa redução de volume compromete estruturas de sustentação do rosto e faz surgir precocemente sinais tradicionalmente associados ao envelhecimento.

A gordura facial não exerce apenas uma função estética, ela faz parte da arquitetura que sustenta os tecidos do rosto. Quando ocorre um emagrecimento acelerado, há redução dos compartimentos de gordura responsáveis pelo suporte da pele e das estruturas profundas da face. Como consequência, o rosto perde volume, o sulco nasogeniano torna-se mais evidente, a linha da mandíbula perde definição, as bochechas passam a apresentar maior flacidez e o pescoço pode adquirir um aspecto mais envelhecido. Alterações que normalmente surgiriam ao longo de muitos anos, passam a aparecer em um intervalo muito menor.

Deep Plane Facelift: a abordagem mais moderna

Atualmente, o objetivo do lifting facial não é apenas corrigir a flacidez aparente, mas reposicionar as estruturas profundas responsáveis pela sustentação da face. Entre as técnicas mais modernas está o Deep Plane Facelift, que atua em um plano anatômico mais profundo e trata a causa da flacidez, e não apenas suas consequências.

Nesse procedimento, o cirurgião libera os chamados ligamentos retentores da face, estruturas que funcionam como pontos de fixação entre os tecidos faciais e as camadas profundas, entre eles o ligamento zigomático-cutâneo, o massetérico e o mandibular. Ao realizar essa liberação, torna-se possível reposicionar em conjunto músculos, gordura, ligamentos e pele, respeitando a anatomia natural do paciente e não apenas tratar a pele isoladamente, como ocorre nas técnicas mais superficiais.

Essa é justamente a principal diferença em relação ao lifting tradicional. Nas técnicas convencionais, o cirurgião trabalha acima do SMAS (a camada muscular que reveste o rosto), tracionando basicamente a pele para disfarçar a flacidez, um resultado que tende a durar menos tempo e, com frequência, produz aquele aspecto “esticado” que muitos pacientes temem. No Deep Plane, o descolamento acontece abaixo dessa camada, permitindo que músculo, gordura e pele sejam reposicionados como um bloco único. O resultado é mais duradouro, porque trata a causa estrutural da flacidez, e mais natural, porque não depende de tensão excessiva sobre a pele para se sustentar.

Diferentemente das técnicas tradicionais, o reposicionamento ocorre sem exercer tensão excessiva sobre a pele. O objetivo não é esticar o rosto, mas devolver as estruturas à posição que ocupavam antes do processo de envelhecimento ou da perda significativa de peso, produzindo uma aparência mais descansada e natural. Em pacientes que perderam volume facial de forma rápida por conta do uso de medicamentos para emagrecimento, essa técnica costuma ser especialmente indicada, já que consegue compensar a queda de estruturas que os procedimentos mais superficiais não alcançam. Em alguns casos, o Deep Plane é associado à lipoenxertia facial, devolvendo volume aos compartimentos que ficaram mais esvaziados.

A cirurgia plástica já acompanha uma nova realidade

Os medicamentos para perda de peso representam um dos maiores avanços recentes da medicina e trouxeram benefícios importantes para muitas pessoas. Ao mesmo tempo, criaram uma nova realidade para a cirurgia plástica.

Se antes a passagem do tempo era considerada o principal fator responsável pelo envelhecimento facial, hoje ela divide espaço com mudanças metabólicas provocadas pelo emagrecimento acelerado. Isso exige uma abordagem cirúrgica capaz de tratar não apenas a pele, mas também as estruturas profundas responsáveis pela sustentação da face.

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