Genética, localização da incisão, tensão sobre a pele, exposição solar e cuidados no pós-operatório estão entre os fatores que influenciam a cicatrização

“Minha cicatriz vai ficar aparente?” Essa é uma das dúvidas mais comuns antes de uma cirurgia plástica. A resposta, porém, não depende apenas da técnica utilizada pelo cirurgião. Toda cirurgia que envolve uma incisão deixa uma cicatriz. O objetivo da cirurgia plástica é planejá-la para que fique, sempre que possível, posicionada em áreas mais discretas, como dobras naturais da pele, sulcos ou regiões que possam ser cobertas por roupas. Mas a aparência final também depende da forma como cada organismo cicatriza.

Segundo a American Society of Plastic Surgeons (ASPS), fatores como genética, tonalidade da pele, exposição ao sol, tensão sobre a cicatriz, presença de infecção, nutrição e cuidados pós-operatórios podem interferir na forma e na coloração da cicatriz.

A cicatriz começa a ser planejada antes mesmo da cirurgia

O resultado da cicatrização começa ainda no planejamento do procedimento. A localização e o tamanho da incisão variam conforme a cirurgia.

Em uma mamoplastia, por exemplo, algumas cicatrizes podem ser posicionadas no sulco abaixo da mama. Em procedimentos faciais, o cirurgião procura aproveitar linhas naturais próximas às orelhas ou ao couro cabeludo. Já cirurgias como abdominoplastia, lifting de braços ou de coxas exigem incisões mais extensas porque envolvem a retirada de uma quantidade maior de pele.

Além da localização, a forma como os tecidos são aproximados e a quantidade de tensão exercida sobre a cicatriz também influenciam sua evolução. Por isso, comparar a cicatriz de uma pessoa com a de outra nem sempre faz sentido. Até pacientes submetidos à mesma cirurgia podem apresentar processos de cicatrização bastante diferentes.

Genética tem influência?

Sim. Existem pessoas com maior predisposição a desenvolver cicatrizes mais espessas, hipertróficas ou queloides. Histórico pessoal e familiar pode ajudar o cirurgião a identificar uma maior predisposição. Certas regiões do corpo também apresentam maior tendência ao desenvolvimento de cicatrizes elevadas.

O queloide, por exemplo, ocorre quando o tecido cicatricial cresce além dos limites da ferida original. Já a cicatriz hipertrófica também pode ficar elevada e avermelhada, mas tende a permanecer dentro da área da incisão.

Isso não significa que quem já apresentou queloide nunca poderá fazer uma cirurgia plástica, mas a informação precisa ser discutida durante a consulta para que o planejamento e o acompanhamento sejam adequados.

Cicatriz vermelha nos primeiros meses é normal?

Em muitos casos, sim. Uma cicatriz recente pode ficar avermelhada, rosada, mais rígida ou até ligeiramente elevada antes de começar a clarear e amolecer.

A cicatrização é um processo lento. Segundo especialistas ouvidos pela ASPS, a fase de maturação pode levar de seis meses a um ano, e algumas cicatrizes continuam apresentando melhora por períodos ainda maiores.

Por isso, avaliar o resultado de uma cicatriz poucas semanas depois da cirurgia pode gerar ansiedade desnecessária. Ela ainda está passando por diferentes etapas de formação e remodelação do colágeno.

Sol pode escurecer a cicatriz

A exposição solar é um dos cuidados mais importantes durante a cicatrização.

A pele recém-cicatrizada é mais sensível à radiação ultravioleta. Quando exposta ao sol sem proteção, pode apresentar maior pigmentação, deixando a cicatriz mais escura e evidente.

A ASPS recomenda atenção especialmente durante os primeiros meses e destaca a importância da proteção solar nas cicatrizes recentes. O tempo e a forma de proteção devem seguir a orientação do cirurgião. Dependendo da área operada, isso pode envolver roupas, barreiras físicas e protetor solar após a completa cicatrização da pele.

Cigarro também interfere

O tabagismo é outro fator relevante porque prejudica a circulação sanguínea e reduz a chegada adequada de oxigênio aos tecidos, elementos fundamentais para a cicatrização.

Isso pode aumentar o risco de problemas na recuperação da ferida e comprometer a qualidade da cicatriz. Por esse motivo, suspender o cigarro no período determinado pelo cirurgião antes e depois da operação não é apenas uma orientação estética, mas também uma medida relacionada à segurança do procedimento.

7 cuidados que podem ajudar na cicatrização

Embora não seja possível controlar completamente como uma cicatriz vai evoluir, alguns cuidados ajudam a proporcionar melhores condições para o organismo cicatrizar:

  1. Siga as orientações do pós-operatório. Curativos, higiene e retorno às atividades variam conforme a cirurgia. Evite improvisar tratamentos por conta própria.
  2. Evite tensão sobre a incisão. Movimentos ou esforços precoces podem aumentar a tração sobre a cicatriz e favorecer seu alargamento.
  3. Proteja a região do sol. Cicatrizes recentes podem pigmentar com maior facilidade quando expostas à radiação ultravioleta.
  4. Não fume. A nicotina e outros componentes do cigarro prejudicam a circulação e podem comprometer a cicatrização.
  5. Mantenha alimentação adequada. Proteínas, vitaminas e minerais participam do processo de reparação dos tecidos.
  6. Não retire crostas ou manipule a cicatriz. Puxar fios, crostas ou fazer massagens sem indicação pode traumatizar uma área ainda em recuperação.
  7. Use produtos para cicatriz apenas com orientação médica. Gel ou placas de silicone podem ser úteis em determinados casos, inclusive na prevenção ou tratamento de cicatrizes elevadas, mas devem ser utilizados quando a ferida já está fechada e conforme orientação profissional.

Quando uma cicatriz precisa ser avaliada?

Durante o pós-operatório, vermelhidão e sensibilidade podem fazer parte do processo normal. Mas alterações importantes precisam ser comunicadas ao médico.

Aumento progressivo da dor, secreção, abertura da ferida, calor intenso na região, vermelhidão que se espalha ou sinais de infecção merecem avaliação.

Também é indicado conversar com o cirurgião quando, ao longo dos meses, a cicatriz começa a ficar muito elevada, endurecida, coçar intensamente ou crescer além da área original da incisão.

Existem diferentes possibilidades de tratamento para cicatrizes que evoluem de maneira desfavorável, como silicone, terapias compressivas e, em casos selecionados, procedimentos com laser ou outras abordagens. A indicação depende do tipo de cicatriz e do momento da cicatrização.

Não existe “cicatriz zero”

Um dos pontos mais importantes antes de qualquer cirurgia plástica é ter uma expectativa realista.

Uma cirurgia pode ser planejada para posicionar a cicatriz da maneira mais discreta possível, mas nenhum profissional consegue garantir antecipadamente que ela ficará completamente imperceptível.

O resultado depende de uma combinação entre técnica cirúrgica, características individuais e cuidados durante a recuperação. E, principalmente, de tempo.

Aquela cicatriz avermelhada vista poucas semanas após a cirurgia não será necessariamente sua aparência definitiva. Assim como acontece com o restante do resultado de uma cirurgia plástica, o organismo precisa passar pelo seu processo de recuperação antes que seja possível avaliar o resultado final.

Mais informações: drvidalguerreiro.com.br
Instagram: @DrVidalGuerreiro

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